OGYGIA 1

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As Vozes de Lilith

 

Neste número de OGYGIA: Revista Literária, exploramos mitos e arquétipos de Lilith como força, muitas vezes reprimida, que rompe as correntes do poder patriarcal. Lilith representa a resistência contra normas que aprisionam o corpo e a voz das mulheres. A sua lenda ecoa como um grito de liberdade através dos séculos. Nesta publicação primaveril, convidamos quem lê estas palavras a redescobrir esta deusa insurgente e a compreender o seu potencial transformador.

Ao longo do tempo, há inúmeras narrativas de mulheres que desafiaram as normas sociais, questionando a ordem estabelecida e reivindicando o seu lugar de direito no mundo. Lilith, a primeira mulher que não obedeceu aos homens, é um poderoso símbolo de resistência contra o patriarcado e um alerta de que a luta pela igualdade de género continua.

A narrativa sobre Lilith, enraizada em mitos e lendas antigas, continua a inspirar mulheres a desafiar normas sociais e a reivindicar o seu lugar de direito no mundo. O legado da mulher primordial continua a ser um símbolo de independência, empoderamento e luta contínua pela igualdade de género. Ela tem sido destacada em romances, poemas, filmes e música. Escritoras e artistas inspiraram-se nela para explorarem temas como igualdade de género, autonomia e luta contra a opressão. Mesmo milhares de anos depois, Lilith ainda tenta muitos. A sua imagem, que aparece na tradição antiga como uma personificação da tentação proibida, surge e manifesta-se, no nosso tempo, em círculos contemporâneos seculares, religiosos, espirituais e pós-seculares como uma personagem relevante.

Que propósitos ou fins serve hoje a sua imagem? Por que é que ela é novamente referida e apropriada? O que há na sua lenda que provoca um apelo tão grande no movimento feminista e em várias formas de discurso espiritual alternativo nas últimas décadas? Ela representa um certo valor, liderança, perceção espiritual ou um certo movimento feminista? Para responder a estas perguntas, escritoras em vários géneros literários, poetas e investigadoras são vozes frescas desse mito transformador de imagens tradicionais de femininidade, como a da fada do lar.

Ao questionar a hierarquia divina, Lilith expôs a arbitrariedade do poder masculino. Ela rompeu o silêncio imposto às mulheres e reclamou o direito de existir sem tutelas. A sua recusa tornou-se num ato político: um manifesto de autonomia corporal e intelectual. Lilith ensina-nos que questionar estruturas opressoras é o primeiro passo para as desconstruir.

 

Arte de Anne Hoover

 

 

 

Às mulheres que carregam o peso de gerações de submissão, Lilith oferece um espelho de coragem. Ela mostra-nos que a desobediência pode ser fonte de criação e transformação. Cada mulher que ergue a sua voz hoje carrega um pouco da sua força. Ao abraçarmos Lilith reconhecemos o nosso poder de dizer não, de definir os nossos caminhos e de reinventar as nossas histórias. Este tema na nossa revista entusiasmou mulheres de várias partes do mundo ocidental. Aqui estão algumas das suas vozes.